Mesmo sem estatuetas, “O Agente Secreto” faz história com quatro indicações ao Oscar e coloca o Brasil em destaque
Filme dirigido por Kleber Mendonça Filho disputou Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Direção de Elenco, reforçando a força do cinema brasileiro no maior prêmio da indústria.
O filme “O Agente Secreto”, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, entrou para a história do cinema brasileiro ao conquistar quatro indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Direção de Elenco.
Apesar de não ter levado nenhuma estatueta, o longa protagonizou um dos momentos mais marcantes para o Brasil na premiação, reforçando a relevância da produção nacional no cenário cinematográfico internacional.
A expectativa era grande para que o país repetisse o feito de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, mas desta vez a vitória não veio. Ainda assim, especialistas e críticos consideram que a presença de “O Agente Secreto” entre os indicados já representa um grande reconhecimento para o cinema brasileiro.
Antes do início da cerimônia, o diretor Kleber Mendonça Filho demonstrou emoção ao falar sobre a experiência de levar o filme ao Oscar.
“É um grande dia. Estamos com quase 40 companheiros e companheiras da equipe, atores, atrizes, equipe técnica. É um grande dia de celebração. E eu fico recebendo notícias do Brasil. É um grande dia no Brasil também”, declarou o cineasta em entrevista à agência AFP.
Primeira disputa da noite
A primeira categoria com participação brasileira foi Melhor Direção de Elenco, que estreou nesta edição do Oscar. Para apresentar os indicados, a organização convidou um ator de cada filme concorrente, que subiram ao palco para homenagear os responsáveis pela escolha do elenco.
Participaram da apresentação Chase Infiniti, do filme Uma Batalha Após a Outra; Gwyneth Paltrow, de Marty Supreme; Paul Mescal, de Hamnet; Wagner Moura, representando O Agente Secreto; e Delroy Lindo, de Pecadores.
A primeira estatueta da história da categoria acabou ficando com Cassandra Kulukundis, pelo trabalho em Uma Batalha Após a Outra. O resultado frustrou parte dos fãs brasileiros, que torciam pela vitória de Gabriel Domingues, responsável pelo elenco de O Agente Secreto.
Disputa acirrada no Oscar
Entre os especialistas, a categoria em que o Brasil tinha maiores chances de vitória era Melhor Filme Internacional. No entanto, o prêmio foi conquistado pelo longa norueguês “Valor Sentimental”, que recebeu nove indicações no total.
Outra grande expectativa estava na categoria de Melhor Ator, com Wagner Moura, que chegou ao Oscar embalado pela vitória no Globo de Ouro. A disputa, no entanto, foi considerada uma das mais fortes da noite.
Moura concorreu com Ethan Hawke, Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan, que acabou levando a estatueta pela atuação no filme “Pecadores”.
Principal prêmio da noite
“O Agente Secreto” também estava entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme, principal prêmio da cerimônia. A estatueta, no entanto, ficou com “Uma Batalha Após a Outra”, dirigido por Paul Thomas Anderson, que foi o grande vencedor da noite, com seis prêmios ao todo.
Além das indicações do longa brasileiro, o país também esteve representado na categoria de Melhor Fotografia, com Adolpho Veloso, indicado pelo trabalho no filme Sonhos de Trem. O prêmio, entretanto, ficou com Autumn Durald Arkapaw, pelo filme Pecadores.
Mesmo sem levar troféus, a participação brasileira foi considerada histórica e reforça o momento de visibilidade internacional vivido pelo cinema nacional.
A presença de produções brasileiras entre os principais indicados do Oscar demonstra que o país segue ganhando espaço e reconhecimento na maior premiação do cinema mundial.
Texto: Gira Bahia