Hariel Revignet estreia exposição sobre água, território e diáspora no MUNCAB, em Salvador

O MUNCAB, no Centro Histórico de Salvador, recebe a mostra OMI TUTU – Água Fresca. A artista Hariel Revignet aborda água, território e diáspora até fevereiro de 2027.

Hariel Revignet estreia exposição sobre água, território e diáspora no MUNCAB, em Salvador
Foto: Foto: Lucas Almeida Sousa / Divulgação

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), no Centro Histórico de Salvador, recebe, a partir desta quinta-feira (11), a exposição “OMI TUTU – Água Fresca”, da artista brasileira-gabonesa Hariel Revignet. Com curadoria de Jamile Coelho, também diretora artística do museu, a mostra reúne pinturas e instalações que abordam temas como água, território, deslocamento, pertencimento e continuidade.

A exposição parte da água como elemento de conexão entre diferentes territórios, corpos e experiências. Rios, mares, lágrimas e caminhos aparecem na produção da artista como referências para refletir sobre travessias e transformações entre Brasil e Gabão, países que atravessam sua história familiar e sua trajetória.

Foto: Divulgação

O título da mostra vem de uma expressão em iorubá traduzida como “água fresca” ou “água que refresca”, associada a ideias como equilíbrio, conciliação e apaziguamento. “Não quero mais resistir nem sobreviver. Quero, no empuxo das águas, transbordar”, afirma Hariel sobre a pesquisa que orienta a exposição.

Segundo a artista, “OMI TUTU” também representa uma celebração das águas e das chamadas Grandes Mães, além de uma reflexão sobre cuidado, abundância e referências presentes nas culturas afro-diaspóricas.

CONEXÃO BRASIL GABÃO

Nascida em Goiânia, em 1995, Hariel Revignet desenvolve sua produção a partir dos encontros entre Brasil e Gabão, território de origem de seu pai. A artista trabalha com o conceito de autobiogeografia, que relaciona experiências pessoais, território e deslocamentos.

Uma das imagens centrais da exposição é a do estuário, local onde diferentes águas se encontram sem perder suas características. O conceito também orienta o texto curatorial “Dentro do Mar tem Rio”, assinado por Jamile Coelho.

Na leitura proposta pela curadoria, o oceano deixa de representar apenas uma distância entre territórios e passa a ser compreendido como espaço de circulação, memória e continuidade.

O percurso expográfico, assinado pela arquiteta Gisele de Paula, foi organizado como uma sequência de águas e margens. Durante a visita, o público percorre espaços denominados Limiar, Mar de Lágrimas, Estuário Gabão, Rio Encantado e Portais do Retorno.

Entre as obras inéditas está “Peixes – Sementes”, instalação produzida em 2026 e formada por 195 esculturas de peixes. Dispostos coletivamente, os elementos remetem à água como espaço de vida, movimento e transformação.

A diretora-geral do MUNCAB, Cíntia Maria, também destaca a relação da exposição com Salvador e com a presença da água na cultura brasileira.

“Salvador é a cidade das águas e das mulheres. No Brasil, a água também é cultura: está nos banhos, nas lavagens, nas travessias e nas navegações. Ao reivindicar a água fresca, OMI TUTU afirma abundância e vitalidade. Não basta sobreviver. É preciso transbordar”, destaca.

A exposição “OMI TUTU – Água Fresca” fica em cartaz no MUNCAB até o dia 14 de fevereiro de 2027.

SERVIÇO

O quê: OMI TUTU – Água Fresca, exposição de Hariel Revignet, com curadoria de Jamile Coelho Quando: De 11 de setembro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027 Horário: Terça-feira a domingo, das 10h às 17h, com entrada do público até 16h30 Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada) Gratuidade: Quartas-feiras e domingos Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), Rua das Vassouras, nº 25, Centro Histórico de Salvador

Texto: Redação, Bahia Notícias