Correios da Itália assume controle da TIM Brasil e passa a comandar operação
A Poste Italiane virou controladora indireta da TIM Brasil ao chegar a 66,62% do grupo Telecom Italia. A Anatel já aprovou a transferência do controle societário.
A Poste Italiane, estatal italiana de serviços postais, passou a ser a controladora indireta da TIM Brasil após concluir a aquisição de ações do Grupo TIM, também conhecido como Telecom Italia. A mudança foi comunicada pela operadora brasileira na sexta-feira (18), em comunicado ao mercado.
A Poste Italiane informou que alcançou 66,62% do capital social do Grupo TIM após uma oferta de aproximadamente 13 bilhões de euros (cerca de R$ 76,8 bilhões). A empresa já detinha 20,1% da companhia italiana de telecomunicações e, com a operação, assumiu o controle societário.
“Em decorrência dessa aquisição originária de controle por meio de oferta pública, a Poste Italiane tornou-se a acionista controladora da TI [Telecom Italia] e, consequentemente, a acionista controladora indireta da TIM Brasil”, afirmou a operadora brasileira.
A participação da Poste Italiane no Grupo TIM ainda pode aumentar. A nova controladora prevê um período adicional de adesão à oferta entre 21 e 25 de setembro.
Anatel aprovou mudança de controle
A Anatel aprovou a transferência do controle societário indireto da TIM Brasil para a Poste Italiane. Segundo a agência, a TIM S.A. protocolou em 14 de abril de 2026 o pedido de Anuência Prévia para a mudança, decorrente da alteração do controle da TIM S.p.A., na Itália.
A operação dependia de aprovação da Anatel porque a TIM Brasil é autorizada a prestar serviços de telecomunicações no país e a mudança se enquadrou nas hipóteses previstas pelo Regulamento Geral de Outorgas (RGO).
Após analisar os requisitos aplicáveis, a agência aprovou a transferência por meio do Ato nº 8.783, de 2 de julho de 2026, publicado no Diário Oficial da União em 6 de julho. De acordo com a Anatel, a análise permite verificar o cumprimento das regras aplicáveis às empresas do setor e acompanhar eventuais impactos da operação sobre a estrutura do mercado de telecomunicações, inclusive sob a perspectiva concorrencial.
A agência também informou que não há, desde a entrada em vigor da Lei nº 14.195/2021, uma limitação específica à participação de capital estrangeiro em empresas prestadoras de serviços de telecomunicações no Brasil.
O que muda para a TIM Brasil
A mudança de controle da matriz não deve alterar, neste momento, a estratégia da TIM Brasil, segundo o CEO da companhia, Alberto Griselli.
Em coletiva de imprensa realizada em julho, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, Griselli afirmou que a operadora brasileira passa a fazer parte de um grupo com maior capacidade financeira. Segundo ele, a mudança pode ampliar a flexibilidade para a alocação de capital no Brasil.
“Do nosso lado, podemos dizer que vamos pertencer a um grupo patrimonialmente mais forte. Isso tem um benefício de alocação de capital, é uma flexibilidade que podemos ter aqui”, disse o executivo.
Griselli também afirmou que a Poste Italiane considera a TIM Brasil um ativo importante para sua estratégia.
Origem
A TIM foi criada em 1994, na Itália, e chegou ao Brasil em 1998, após a privatização do Sistema Telebras. Naquele ano, um consórcio formado pela UGB Participações, ligada às Organizações Globo e ao Bradesco, e pela Bitel Participações, controlada pela Telecom Italia, comprou o controle da Tele Celular Sul e da Tele Nordeste Celular.
Posteriormente, a Telecom Italia comprou a participação da UGB Participações nas empresas brasileiras. Em 2000, a TIM anunciou a compra da Maxitel, operadora que atuava em Minas Gerais, Bahia e Sergipe, passando a deter 96,6% de seu capital.
No ano seguinte, a TIM participou do leilão das Bandas D e E da Anatel e ampliou sua atuação para as regiões Centro-Oeste e Norte e para os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Com a expansão, tornou-se o único grupo autorizado a oferecer telefonia móvel em todo o território nacional.
Telefonia fixa
A expansão da empresa continuou com a compra da Intelig, concorrente da Embratel no mercado de longa distância. A incorporação foi concluída em 2009 e marcou a entrada da TIM nos mercados de telefonia fixa e chamadas de longa distância.
Texto: Mariana Rios, Jornal Correio